TRAVESSIA CROSSING
Antônio Moura trans. Stefan Tobler
(from Portuguese)

Um dia para atravessar - sol
entre duas noites imensas,

tendo como companhia o corpo,
este pequeno animal que não

te pertence e que, sem nada
perguntar, se oferece, devotadamente,

ao tempo, deus que também é
o próprio corpo em silêncio

Um dia para transpor tendo por alimento
a poeira da estrada que se estende

branca, do nascente ao poente e
que, lentamente, transforma-se em

riacho negro que passa sob a
ponte suspensa da Via Láctea

Ir, à outra margem, de acordo
com o que a própria ida engendra

Ora com o silvo das serpentes sob o passo
Ora andando sobre as águas do poema

A day to cross - sun
between two immense nights,

having as company the body,
that humble beast that doesn’t

belong to you and which, without
a question, offers itself, devotedly

to time, god who is also
the very body in its silence

A day to pass, having for food
the dust on the road that stretches

white, from where the sun rises to where it sets,
and that, slowly, transforms itself into a

black stream that flows under the
suspended bridge of the Milky Way

To go, to the other bank, according
to what the going itself engenders

At times with the hissing of serpents underfoot
At times walking on the water of the poem

Orig. Copyright © Antônio Moura; Trans. Copyright © Stefan Tobler 2009


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