ECO ECHO
Cecilia Meireles tr. Margaret Jull Costa (from Portuguese)


Alta noite, o pobre animal aparece no morro, em silêncio.
O capim se inclina entre os errantes vaga-lumes;
pequenas asas de perfume saem de coisas invisíveis:
no chão, branco de lua, ele prega e desprega as patas, com sombra.


Prega, desprega e pára.
Deve ser água, o que brilha como estrela, na terra plácida.
Serão jóias perdidas, que a lua apanha em sua mão?
Ah! ... não é isso …

E alta noite, pelo morro em silêncio, desce o pobre animal sozinho.

Em cima, vai ficando o céu. Tão grande. Claro. Liso.
Ao longe, desponta o mar, depois das areias espessas.
As casas fechadas esfriam, esfriam as folhas das árvores.
As pedras estão como muitos mortos: ao lado um do outro, mas estranhos.
E ele pára, e vira a cabeça. E mira com seus olhos de homem.
Não é nada disso, porém …

Alta noite, diante do oceano, sente-se o animal, em silêncio.
Balançam-se as ondas negras. As cores do farol se alternam.
Não existe horizonte. A água se acaba em tênue espuma.

Não é isso! Não é isso!
Não é a água perdida, a lua andante, a areia exposta …
E o animal se levanta e ergue a cabeça, e late … late …

E o eco responde.

Sua orelha estremece. Seu coração se derrama na noite.
Ah! para aquele lado apressa o passo, em busca do eco.


Dead of night, the poor animal appears on the hill, in silence.
The grass bends amongst the errant fireflies;
tiny wings of perfume emerge from invisible things;
on the ground, white with moon, he puts down and picks up his paws and
.........................................their shadow.

Puts down, picks up and stops.
It must be water that thing shining like a star on the placid earth.
Could it be lost jewels that the moon snatches up in her hand?
Ah, no, that’s not it …

And dead of night, down the hill in silence comes the poor animal alone.

Above, the sky is still there. So big. Bright. Smooth.
In the distance appears the sea, beyond the compact sands.
The closed houses grow cold, cold grow the leaves of the trees.
The stones are like so many dead: lying side by side, but strangers.
And he stops and turns his head. And he looks with his human eyes.
No, that’s not it either …

Dead of night, before the ocean, the animal sits down, in silence.
The dark waves rise and fall. The colours from the lighthouse come and go.
There is no horizon. The water ends in tenuous foam.

No, that’s not it! That’s not it!
It’s not the lost water, the wandering moon, the bare sand …
And the animal gets up and lifts his head, and barks and barks …

And the echo responds.

His ear twitches. His heart pours out into the night.
Ah! and he sets off towards it, in search of the echo.

We believe this original poem is in the public domain. If anyone contests this, please contact us.

Trans. Copyright © Margaret Jull Costa 2007


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